O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), foi ao Palácio do Planalto na tarde desta 5ª feira (14.mai.2020) e conversou com o presidente da República, Jair Bolsonaro. Ao volta para a Câmara, o deputado sinalizou uma reconciliação com o presidente da República.
Mais cedo, Bolsonaro havia atacado Maia: “parece que quer afundar a economia para ferrar o governo”, disse o chefe do Executivo.
Em entrevista a jornalistas depois de sair de voltar à Câmara, o deputado negou que a declaração de Bolsonaro tenha sido assunto na conversa. “Foi para manter o diálogo, não para nos dividir”. O presidente da Câmara disse que os ministros Walter Braga Netto (Casa Civil) e Luiz Eduardo Ramos (Secretaria de Governo) há semanas o convidaram para conhecer o gabinete que lida com a pandemia do coronavírus. “Ontem o Ramos me ligou perguntando se eu poderia fazer essa visita na tarde de hoje, eu disse que sim”, afirmou Rodrigo Maia.
Durante a visita, foi consultado sobre a possibilidade de conversar com Bolsonaro e aceitou, disse Maia. “O presidente da República desceu, me convidou para tomar um café. Conversamos sobre o momento, sobre como cada um vê essa crise”, afirmou.
A conversa teria tido por volta de 30 minutos. Maia voltou à Câmara por volta das 16h20, com sessão da Câmara em andamento sob e a condução de Marcos Pereira (Republicanos-SP), vice-presidente. O deputado do DEM teve diversos atritos com o governo neste ano. Tornou-se 1 dos alvos preferenciais de apoiadores do presidente. Entre os pontos de discordância está o isolamento social para conter o coronavírus. Maia quer manter o isolamento, Bolsonaro quer que as pessoas voltem ao trabalho.
Quando o ex-ministro da Justiça Sergio Moro deixou o governo fazendo acusações ao presidente, Maia passou a ser pressionado para dar andamento a 1 pedido de impeachment. Até agora, não o fez. Perguntado sobre a MP (medida provisória) 966 de 2020, que a oposição afirma ter sido editada para proteger Bolsonaro, Maia evitou emitir 1 juízo.
“O plenário vai decidir se ela é constitucional ou se é inconstitucional ou se precisa ser modificada para que não pareça que algum agente pública está sendo protegido”, afirmou. A MP reduz o rigor do escrutínio sobre a conduta de autoridades durante a pandemia. Maia também evitou falar sobre uma possível devolução da medida provisória ao governo. “Não é uma atribuição do presidente da Câmara, é do presidente do Congresso.
Não me cabe avaliar essa parte”. Medidas provisórias são publicadas pelo governo e têm força de lei a partir de sua publicação, por até 120 dias. Para terem validade definitiva, precisam de aprovação de Câmara e Senado dentro do prazo.





